Finalmente criei coragem e resolvi colocar o link deste blog numa página do facebook.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Novo Airão, Anavilhanas e Açutuba
Neste feriado do dia 12 de outubro levei minha amiga Marjory, que veio me visitar desde o Recife, para conhecer um pouco da exuberância da floresta amazônica. O destino foi a cidade de Novo Airão. Basta sair de Manaus pela ponte do rio Negro e seguir passando por Iranduba, Manacapuru e chegar até o lugar desejado. Não tem erro. A estrada termina ali. São praticamente 3h de carro desde a capital amazonense. A estrada não é ruim, mas não é também uma maravilha. Mão dupla, com alguns poucos buracos. Sinalização um pouco precária. Sem iluminação alguma.
Chegamos e logo fomos ver a atração principal: os botos roza! É legal vê-los, passar a mão neles. Paga-se R$ 10,00 para entrar no flutuante e ficar ali o tempo que quiser. Fecha às 17h.
Na sequência, encontrei um casal de amigos do INPA que estava trazendo uma catarinense também para conhecer, cujo namorado está morando aqui em Manaus. Eles nos convidaram para rachar uma lancha para ir até uma das ilhas de Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo. Pagamos R$ 60,00 a lancha, dividido pelas 6 pessoas. Foi um passeio curtinho. Atravessar o rio, ir para uma das ilhas e depois parar em um balcão de areia. A paisagem é legal. E a água numa temperatura ideal!
Eu tinha levado barraca para acampar. Mas me dei conta que não levei lanterna. Então, preferi procurar um muquifo para dormir. Encontramos a pousada Juruá, que cobrava R$ 35,00 o quarto. Há uma outra que cobrava ligeiramente menos. E há aquelas mais caras, cheias de frescuras. De noite demos umas voltas pela minúscula cidade, que tem super poucas opções para comer. Dia seguinte, acordamos e fomos para a praia de Açutuba. No caminho, dei carona a um cara com sua mãe. Paramos para comer um café regional. E finalmente a praia. Lá é lindo. Estava com bem pouca gente. Escolhemos um lugar na areia e entramos na água preta do rio, que estava geladinha. Foi um feriado bem agradável. Os encantos da natureza!
Chegamos e logo fomos ver a atração principal: os botos roza! É legal vê-los, passar a mão neles. Paga-se R$ 10,00 para entrar no flutuante e ficar ali o tempo que quiser. Fecha às 17h.
Na sequência, encontrei um casal de amigos do INPA que estava trazendo uma catarinense também para conhecer, cujo namorado está morando aqui em Manaus. Eles nos convidaram para rachar uma lancha para ir até uma das ilhas de Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo. Pagamos R$ 60,00 a lancha, dividido pelas 6 pessoas. Foi um passeio curtinho. Atravessar o rio, ir para uma das ilhas e depois parar em um balcão de areia. A paisagem é legal. E a água numa temperatura ideal!
Eu tinha levado barraca para acampar. Mas me dei conta que não levei lanterna. Então, preferi procurar um muquifo para dormir. Encontramos a pousada Juruá, que cobrava R$ 35,00 o quarto. Há uma outra que cobrava ligeiramente menos. E há aquelas mais caras, cheias de frescuras. De noite demos umas voltas pela minúscula cidade, que tem super poucas opções para comer. Dia seguinte, acordamos e fomos para a praia de Açutuba. No caminho, dei carona a um cara com sua mãe. Paramos para comer um café regional. E finalmente a praia. Lá é lindo. Estava com bem pouca gente. Escolhemos um lugar na areia e entramos na água preta do rio, que estava geladinha. Foi um feriado bem agradável. Os encantos da natureza!
domingo, 30 de setembro de 2012
Porto Velho (Rondônia)
No interior de SP, frequentei muito Porto Feliz. Nas idas ao sul do país, visitei Porto Alegre. No interior do Amazonas, conheci comunidades ribeirinhas chamadas de Porto Felicidade e Porto Esperança. Agora finalmente tive o merecimento de conhecer a capital de Rondônia: Porto Velho.
As ruas são bem largas. Há uma rodovia com vias largas. Isso eu já gostei bem mais do que Manaus. Além disso, a população é completamente misturada de gente de todo o Brasil. Ao contrário da capital amazonense, em que boa parte das pessoas têm cara de índio e negam as raízes - o que eu particularmente acho ridículo - ali em Porto Velho a fisionomia das pessoas era uma completa mistura. Gente de tudo quanto é cor e fisionomia. Reparei que havia mais moças atraentes. De cara percebi também que as pessoas eram bem mais simpáticas e receptivas. Pude conversar com lojistas, pessoas andando na rua, comerciários. E sempre eram receptivos e conversadores. Isso é uma das coisas que sempre me chateia de voltar a Manaus: um povo mal-educado, que não sabe receber bem o forasteiro e o imigrante.
No entanto, a grande atração de Porto Velho é o shopping. Além da velha Estação Ferroviária Madeira Mamoré. Ali foi o palco de uma parte da história brasileira. Fora isso, a cidade parece não ter mais nenhum atrativo. Eu, definitivamente, não me arriscaria a morar ali sem um grandioso pretexto. A vantagem é ter rodovias, por onde eu poderia ir ao Peru, Bolívia e ao resto do Brasil de carro. Mas a falta de opções culturais me deixaria extremamente frustrado.
No sudeste do Brasil, fala-se que em Rondônia não tem nada além de mato. É mentira. Há migrantes de todas as regiões, que foram buscar uma oportunidade de vida. Além disso, há um ser de luz que viveu ali por alguns anos, deixando discípulos e um grande legado. Nessa cidade está o centro da memória dos ensinos desse Mestre. Os ensinamentos que ele deixou estão mais vivos entre as pessoas que ali vivem. Portanto, trata-se de uma cidade sem grandes atrativos culturais, mas do ponto de vista espiritual ali é um local importantíssimo.
As pessoas são escrachadas nessa cidade, como acontece em muitas cidades do norte. Só em Belém não vi muito esse escracho. É muita gente brega, falando muito palavrão e coisas toscas, numa rudeza e num estilo de vida de quem exalta a falta de opção, restando apenas vangloriar-se das porcarias industrializadas que chegam nesses confins do Brasil. Enfim, essa é a cultura do norte. Gente simples, rude e que conhece muito da floresta amazônica. Espero que ali não destruam tudo como estão fazendo em outros estados.
Gostei da viagem. Fui por motivo de um acontecimento da minha religião. Encontrei pessoas legais e pude relaxar. Agora estou de volta a Manaus. Sempre que volto me dá uma depressão passageira. Voltar e encontrar os mesmos problemas, os mesmos poréns, os mesmos contra-pontos de viver aqui. Enfim, são escolhas. No peso da balança está pesando mais a oportunidade profissional. Gosto também da vida que levo aqui - mas isso não significa gostar da cidade. Estou aprendendo a viver numa nova cultura, com novos hábitos. Não há um só dia em que não pense se estou fazendo o certo. Sempre penso se estou feliz ou infeliz nesta cidade. Enfim, vou vivendo. E os dias passando e nenhuma grande emoção dominando meu ser. Aqui é demasiada calmaria. Tenho uns bons amigos e um círculo social, mas essa galera é passageira. Morar nesta cidade no meio da floresta me faz pensar sobre a transitoriedade do universo. Tudo está em constante transformação. Espero que minha vida também esteja, para melhor. E que me reserve gratas e boas surpresas.
As ruas são bem largas. Há uma rodovia com vias largas. Isso eu já gostei bem mais do que Manaus. Além disso, a população é completamente misturada de gente de todo o Brasil. Ao contrário da capital amazonense, em que boa parte das pessoas têm cara de índio e negam as raízes - o que eu particularmente acho ridículo - ali em Porto Velho a fisionomia das pessoas era uma completa mistura. Gente de tudo quanto é cor e fisionomia. Reparei que havia mais moças atraentes. De cara percebi também que as pessoas eram bem mais simpáticas e receptivas. Pude conversar com lojistas, pessoas andando na rua, comerciários. E sempre eram receptivos e conversadores. Isso é uma das coisas que sempre me chateia de voltar a Manaus: um povo mal-educado, que não sabe receber bem o forasteiro e o imigrante.
No entanto, a grande atração de Porto Velho é o shopping. Além da velha Estação Ferroviária Madeira Mamoré. Ali foi o palco de uma parte da história brasileira. Fora isso, a cidade parece não ter mais nenhum atrativo. Eu, definitivamente, não me arriscaria a morar ali sem um grandioso pretexto. A vantagem é ter rodovias, por onde eu poderia ir ao Peru, Bolívia e ao resto do Brasil de carro. Mas a falta de opções culturais me deixaria extremamente frustrado.
No sudeste do Brasil, fala-se que em Rondônia não tem nada além de mato. É mentira. Há migrantes de todas as regiões, que foram buscar uma oportunidade de vida. Além disso, há um ser de luz que viveu ali por alguns anos, deixando discípulos e um grande legado. Nessa cidade está o centro da memória dos ensinos desse Mestre. Os ensinamentos que ele deixou estão mais vivos entre as pessoas que ali vivem. Portanto, trata-se de uma cidade sem grandes atrativos culturais, mas do ponto de vista espiritual ali é um local importantíssimo.
As pessoas são escrachadas nessa cidade, como acontece em muitas cidades do norte. Só em Belém não vi muito esse escracho. É muita gente brega, falando muito palavrão e coisas toscas, numa rudeza e num estilo de vida de quem exalta a falta de opção, restando apenas vangloriar-se das porcarias industrializadas que chegam nesses confins do Brasil. Enfim, essa é a cultura do norte. Gente simples, rude e que conhece muito da floresta amazônica. Espero que ali não destruam tudo como estão fazendo em outros estados.
Gostei da viagem. Fui por motivo de um acontecimento da minha religião. Encontrei pessoas legais e pude relaxar. Agora estou de volta a Manaus. Sempre que volto me dá uma depressão passageira. Voltar e encontrar os mesmos problemas, os mesmos poréns, os mesmos contra-pontos de viver aqui. Enfim, são escolhas. No peso da balança está pesando mais a oportunidade profissional. Gosto também da vida que levo aqui - mas isso não significa gostar da cidade. Estou aprendendo a viver numa nova cultura, com novos hábitos. Não há um só dia em que não pense se estou fazendo o certo. Sempre penso se estou feliz ou infeliz nesta cidade. Enfim, vou vivendo. E os dias passando e nenhuma grande emoção dominando meu ser. Aqui é demasiada calmaria. Tenho uns bons amigos e um círculo social, mas essa galera é passageira. Morar nesta cidade no meio da floresta me faz pensar sobre a transitoriedade do universo. Tudo está em constante transformação. Espero que minha vida também esteja, para melhor. E que me reserve gratas e boas surpresas.
| Mochileiro |
| ruas largas de Porto Velho |
| Aniversário |
| Casamento no rio Madeira |
| Contemplando a paisagem amazônica |
| EFMM |
| Nas encruzilhadas da vida |
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Recife
E mal cheguei em Manaus, tive que arrumar meu mochilão para a terceira viagem na sequência. Desta vez o destino foi Recife, capital de Pernambuco. Eu gosto bastante do nordeste. Estou um pouco cansado das viagens, mas esta é necessária. Vim para cá para apresentar um trabalho num congresso sobre a juventude brasileira, que foi realizado na universidade federal deste estado.
Antes de comprar os bilhetes, falei com minha grande amiga Marjory para me hospedar. Em novembro do ano passado, eu também vim pra cá para um outro congresso. Ela ficou de me receber, mas alguns dias antes apareceu uma viagem para ela fazer e eu tive que ficar na casa de sua amiga Jacqueline. Agora me certifiquei de ficar na casa dela mesma. Cheguei e fui bem recebido. Hospitalidade nordestina é uma das coisas que mais me agrada nesta região do país. Aqui sim o povo é receptivo. Vim para ficar apenas uns dias. No primeiro dia, fui ao congresso fazer credenciamento e pegar a programação. E ler um monte de livros, pois eu tinha que escrever um trecho de um artigo aceito com modificações. Ócios do afazer acadêmico. Nesse dia voltei para casa e fiquei estudando. Dia seguinte, congresso novamente, mas resolvi passar no centro da cidade. Comprei pedras e cristais, para aumentar minha coleção. Na quinta-feira, mais uma passadinha no congresso. E em seguida me encontrei com minha amiga Savana, uma manauara que se casou com um rapaz daqui e veio morar por aqui.
Encontrei-me com ela perto da praça do carmo, onde estava acontecendo o festival das flores. Muitas flores bonitas! Savana com saudade do açai, farinha de tapioca, tucumã... Ela que é calada por natureza, estava sentindo a estranheza de um povo que fala até pelos cotovelos!
Nessa mesma noite, eu e Marjory fomos para a casa de um tio dela, em Cupe. É a praia antes de Porto de Galinhas. Fomos até o aeroporto e lá passa um ônibus de linha até a cidade. Claro, véspera de feriado de 7 de setembro, estava lotado. Ficamos de pé um tempão e ainda pegamos congestionamento. Mas pelo menos pagamos bem baratinho. Dormirmos e no dia seguinte andamos até Porto de Galinhas. De lá, andamos até Maracaipe e até o pontal de Maracaipe. Fim do dia, andamos novamente até Cupe. Foi cansativo. Tomamos banho e pegamos o ônibus de volta a Recife. Dormi e bem cedinho voltei a Manaus. Ufa. Mais uma viagem. Já estou cansado de viajar tanto, quem diria! Foi bom estar com minha grande amiga. Viver o ar nordestino. Adoro o nordeste. Pena que a oportunidade, no momento, está em Manaus. Mas no momento em que a sorte soprar pra outras bandas, com certeza irei com alegria. Tomara que seja para João Pessoa!
Já que estou morando na floresta, determinei que pelo menos 1 vez ao ano eu tenho que tomar banho de mar. Afinal: Mar-Ceu-Lo.
Antes de comprar os bilhetes, falei com minha grande amiga Marjory para me hospedar. Em novembro do ano passado, eu também vim pra cá para um outro congresso. Ela ficou de me receber, mas alguns dias antes apareceu uma viagem para ela fazer e eu tive que ficar na casa de sua amiga Jacqueline. Agora me certifiquei de ficar na casa dela mesma. Cheguei e fui bem recebido. Hospitalidade nordestina é uma das coisas que mais me agrada nesta região do país. Aqui sim o povo é receptivo. Vim para ficar apenas uns dias. No primeiro dia, fui ao congresso fazer credenciamento e pegar a programação. E ler um monte de livros, pois eu tinha que escrever um trecho de um artigo aceito com modificações. Ócios do afazer acadêmico. Nesse dia voltei para casa e fiquei estudando. Dia seguinte, congresso novamente, mas resolvi passar no centro da cidade. Comprei pedras e cristais, para aumentar minha coleção. Na quinta-feira, mais uma passadinha no congresso. E em seguida me encontrei com minha amiga Savana, uma manauara que se casou com um rapaz daqui e veio morar por aqui.
Encontrei-me com ela perto da praça do carmo, onde estava acontecendo o festival das flores. Muitas flores bonitas! Savana com saudade do açai, farinha de tapioca, tucumã... Ela que é calada por natureza, estava sentindo a estranheza de um povo que fala até pelos cotovelos!
Nessa mesma noite, eu e Marjory fomos para a casa de um tio dela, em Cupe. É a praia antes de Porto de Galinhas. Fomos até o aeroporto e lá passa um ônibus de linha até a cidade. Claro, véspera de feriado de 7 de setembro, estava lotado. Ficamos de pé um tempão e ainda pegamos congestionamento. Mas pelo menos pagamos bem baratinho. Dormirmos e no dia seguinte andamos até Porto de Galinhas. De lá, andamos até Maracaipe e até o pontal de Maracaipe. Fim do dia, andamos novamente até Cupe. Foi cansativo. Tomamos banho e pegamos o ônibus de volta a Recife. Dormi e bem cedinho voltei a Manaus. Ufa. Mais uma viagem. Já estou cansado de viajar tanto, quem diria! Foi bom estar com minha grande amiga. Viver o ar nordestino. Adoro o nordeste. Pena que a oportunidade, no momento, está em Manaus. Mas no momento em que a sorte soprar pra outras bandas, com certeza irei com alegria. Tomara que seja para João Pessoa!
Já que estou morando na floresta, determinei que pelo menos 1 vez ao ano eu tenho que tomar banho de mar. Afinal: Mar-Ceu-Lo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Voltando a Manaus
Após os dias na comunidade de Barreirinha de Cima, chegou a hora de voltar. Naqueles dias, já estava sentindo muita falta de comer verduras e frutas. Não era época de nenhuma fruta. Eu já havia passado mal de diarreia por 3 dias, resolvido com a água curtida em casca de castanheira e mangueira. Já estava começando a sentir o peso da alimentação diferente daquela do meu cotidiano. Só o glúten eu não abro mão de não comer, pois tenho intolerância. O resto, não tem como: fritura, arroz branco, leite em pó, chocolate, açúcar.
Teve um dia que fomos a um festejo. O meu primeiro! Na comunidade Murinzal. Foi bem legal. Vivenciei a importância que esses eventos festivos têm para a vida no interior. É momento de alegria, onde os ribeirinhos se visitam, fazem torneio, cozinham, dançam forró e formam casais.
Também vim com um tupé. É um tapete feito de fibras vegetais, do arumã. Feito por uma comunitária especialmente para mim. Fiquei bem contente com o resultado!
Por fim, foram 3 dias de baixada para voltar a Manaus. Gostei da expedição. Fui bom assistentes prestativas e tranquilas de trabalhar. O pessoal do barco é gente boa. O trabalho fluiu bem. Agora é esperar a próxima viagem a campo. Chegamos em Manaus no dia 31 de Agosto, um dia antes do programado.
Teve um dia que fomos a um festejo. O meu primeiro! Na comunidade Murinzal. Foi bem legal. Vivenciei a importância que esses eventos festivos têm para a vida no interior. É momento de alegria, onde os ribeirinhos se visitam, fazem torneio, cozinham, dançam forró e formam casais.
Também vim com um tupé. É um tapete feito de fibras vegetais, do arumã. Feito por uma comunitária especialmente para mim. Fiquei bem contente com o resultado!
Por fim, foram 3 dias de baixada para voltar a Manaus. Gostei da expedição. Fui bom assistentes prestativas e tranquilas de trabalhar. O pessoal do barco é gente boa. O trabalho fluiu bem. Agora é esperar a próxima viagem a campo. Chegamos em Manaus no dia 31 de Agosto, um dia antes do programado.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
RESEX Auati-Paraná
E finalmente chegamos à Reserva Extrativista Auati-Paraná. O barco deixou eu e minha equipe na comunidade Barreirinha de Cima. Encontramos com uma segunda equipe lá. Ficaríamos por 18 dias na comunidade, até o momento do barco voltar a nos pegar. Continuaríamos mais uma semana com o barco, em outras localidades e voltando a Manaus.
Para chegar, navega-se o rio solimões acima. Entra-se no rio Maiana. Depois o canal Aiupiá. Enfim, chega-se ao rio Auati.
Durante esses dias na comunidade, desenvolvemos nossos trabalhos socioambientais, que consiste no monitoramento e avaliação da implementação do uso da madeira caída para produção de pequenos objetos de madeira.
Foi bom estar na comunidade. O lado negativo: pouca higiene, nenhuma verdura, muitos insetos (principalmente mutuca e carapanã), tomar banho de roupa num portinho no rio, não ter banheiro, não ter geladeira nem energia elétrica. O lado positivo: peixe sempre fresco, hospitalidade dos ribeirinhos, natureza exuberante, simplicidade das pessoas, aconchego, ritmo tranquilo, calmaria.
E nesses dias que fiquei lá, estreitei os laços com o povo da comunidade, comi muito peixe e pude relaxar cada vez mais o jeito urbano e adotar o modo rural. Gosto de trabalhar no interior por causa disso: estar em contato com a natureza e com uma cultura onde as pessoas são mais tranquilas e serenas. Isso me faz bem.
domingo, 5 de agosto de 2012
Fonte Boa
E finalmente chegamos em Fonte Boa. E no interior a festa começa na Quinta-feira e termina Domingo. Isso significa que assim que o barco aportou, a turma se arrumou para sair. Fomos todos ao centro, onde havia o lugar da moda tocando música pelo DJ. Cheio de gente. Me impressiona a falta de projeto de vida dos jovens nesses lugares. E a facilidade com que alguém pode arranjar um casamento. Quando contei pro pessoal do sudeste, eles ficaram chocados, mas é como a coisa funciona neste interior amazônico. O forasteiro chega e há muitas moças que estão esperando para serem levadas embora. Para alguns pode ser bizarro. Para outros, uma facilidade. Eu não quis trazer nenhuma pra Manaus.
No dia seguinte, andar pela cidade para os contatos institucionais. Muito buraco, lixo na rua. Cidade completamente abandonada. E em véspera de eleição, nenhuma mudança estava sendo feita, com desculpa para obtenção de votos. Um município jogado às traças. Muito triste ver isso no interior da Amazônia. Entramos em contato com as autoridade competentes e fizemos nossas reuniões.
Dia seguinte partiríamos para a RESEX Auati-Paraná. O nível do rio cada vez mais baixo nesta época do ano.
No dia seguinte, andar pela cidade para os contatos institucionais. Muito buraco, lixo na rua. Cidade completamente abandonada. E em véspera de eleição, nenhuma mudança estava sendo feita, com desculpa para obtenção de votos. Um município jogado às traças. Muito triste ver isso no interior da Amazônia. Entramos em contato com as autoridade competentes e fizemos nossas reuniões.
Dia seguinte partiríamos para a RESEX Auati-Paraná. O nível do rio cada vez mais baixo nesta época do ano.
sábado, 4 de agosto de 2012
Alvarães
Mais um dia navegando e, finalmente, passamos por Tefé e chegamos a Alvarães. Logo saltei do barco e fui buscar internet. Confesso que tenho dificuldades de ficar longe do mundo virtual. Principalmente porque há poucos dias eu tinha ido no encontro familiar e estavam postando muitas fotos e comentários.
Engraçado que no interior o povo tem uma fortíssima tendência à promiscuidade. Meninas sem grandes projetos de vida. E homens também. Poucas pessoas com dinheiro, em geral do funcionalismo público e política. A maioria não tem dinheiro pra quase nada. E adoram essas festas. Assim vão vivendo. Eu fiquei o suficiente na festa para me divertir um pouco. Conheci uma tia levando sua sobrinha pra fanfarra. Engraçado a maneira como ela explicitava a ética moral daquele lugar, sem vergonha de julgamentos e de serem o que são. E aquele povo se embriagando e dançando de modo que beira a vulgaridade. Depois voltei ao barco, antes que os nativos começassem a ultrapassarem o limiar de alcolismo tolerável. Nessa hora, eles poderiam ficar valentes com os forasteiros. Dito e feito. No dia seguinte, o pessoal que ficou me disse que os caras lá já estavam mal-encarados e empurrando.
A cidade é pequena. A praça, no sábado à noite, estava com várias pessoas. No interior a grande maioria é de estatura baixa. E são todos morenos, com aquela cor de pele da mistura indígena. Eu destoava na paisagem, sendo branco.
Tinha uma "festa" naquela noite. A única boate da cidade. Nestes interiores, o povo gosta de forró bagaceira, brega, reggaeton e eletrônico. Tem músicas em português que só toca pra estes lados. E todo mundo sabe cantar. Claro, são letras chulas e pouco instrutivas. Ficamos eu e mais alguns peões da expedição.
Engraçado que no interior o povo tem uma fortíssima tendência à promiscuidade. Meninas sem grandes projetos de vida. E homens também. Poucas pessoas com dinheiro, em geral do funcionalismo público e política. A maioria não tem dinheiro pra quase nada. E adoram essas festas. Assim vão vivendo. Eu fiquei o suficiente na festa para me divertir um pouco. Conheci uma tia levando sua sobrinha pra fanfarra. Engraçado a maneira como ela explicitava a ética moral daquele lugar, sem vergonha de julgamentos e de serem o que são. E aquele povo se embriagando e dançando de modo que beira a vulgaridade. Depois voltei ao barco, antes que os nativos começassem a ultrapassarem o limiar de alcolismo tolerável. Nessa hora, eles poderiam ficar valentes com os forasteiros. Dito e feito. No dia seguinte, o pessoal que ficou me disse que os caras lá já estavam mal-encarados e empurrando.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Coari
No primeiro dia de viagem, navegamos e apenas passamos por Manacapuru e Codajás. A política da expedição é não navegar à noite, pois em experiências anteriores isso se mostrou perigoso. Então, sempre que a noite chegava, o barco parava na beira do rio.
Eu já conhecia boa parte dos peões e alguns engenheiros florestais e biólogos da expedição do ano anterior. Foi legal rever a eles e compartilhar mais este trabalho. Já estava com saudades de fazer essas viagens. Durante o dia, a gente nos entretivemos com os jogos olímpicos, que estavam passando na televisão. No barco já antena parabólica. E de noite, passei a acompanhar a novela.
A comida do barco desta vez estava melhor. Dois cozinheiros sempre preparando refeições boas. Claro, já sabia que no início teríamos verduras. Então, fui aproveitando.
Na primeira noite, paramos numa beira de rio. Muito mosquito. Meu mosquiteiro funcionou bem. Sempre dormindo em rede. E na noite seguinte, chegamos em Coari, uma das maiores cidades do interior do Amazonas. Ali saímos todos para um bar. Eu que não bebo, apenas acompanhei. A maioria foi para um pagode em seguida. Eu e as meninas da equipe voltamos caminhando até o barco. Nada como andar, após 2 dias parados, só embalando na rede e assistindo televisão.
Eu já conhecia boa parte dos peões e alguns engenheiros florestais e biólogos da expedição do ano anterior. Foi legal rever a eles e compartilhar mais este trabalho. Já estava com saudades de fazer essas viagens. Durante o dia, a gente nos entretivemos com os jogos olímpicos, que estavam passando na televisão. No barco já antena parabólica. E de noite, passei a acompanhar a novela.
A comida do barco desta vez estava melhor. Dois cozinheiros sempre preparando refeições boas. Claro, já sabia que no início teríamos verduras. Então, fui aproveitando.
Na primeira noite, paramos numa beira de rio. Muito mosquito. Meu mosquiteiro funcionou bem. Sempre dormindo em rede. E na noite seguinte, chegamos em Coari, uma das maiores cidades do interior do Amazonas. Ali saímos todos para um bar. Eu que não bebo, apenas acompanhei. A maioria foi para um pagode em seguida. Eu e as meninas da equipe voltamos caminhando até o barco. Nada como andar, após 2 dias parados, só embalando na rede e assistindo televisão.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Expedição Auati-Paraná 2012
E mais uma expedição científica. Desta vez, com o pessoal do inventário florestal, seguiríamos pelo rio Solimões até o município de Fonte Boa. Projeto da dinâmica do carbono na floresta amazônica. Enquanto uma parte se dedicaria ao inventário, eu e minha equipe fomos realizar nossas atividades socioambientais em uma das comunidades da RESEX Auati-Paraná. Desta vez minha equipe contava com Marklize, assistente social, e Camila, bióloga que participaria apenas os dias iniciais. Os preparativos da viagem envolvem muitas coisas: elaboração de instrumentos de pesquisa, comida, roupas, itens pessoais, remédios, reuniões e articulação.
Enfim, embarcamos dia 1º de Agosto no barco. Passamos a noite aportados ainda em Manaus e logo de manhãzinha subiríamos o rio Solimões.
Enfim, embarcamos dia 1º de Agosto no barco. Passamos a noite aportados ainda em Manaus e logo de manhãzinha subiríamos o rio Solimões.
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