sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Recife

E mal cheguei em Manaus, tive que arrumar meu mochilão para a terceira viagem na sequência. Desta vez o destino foi Recife, capital de Pernambuco. Eu gosto bastante do nordeste. Estou um pouco cansado das viagens, mas esta é necessária. Vim para cá para apresentar um trabalho num congresso sobre a juventude brasileira, que foi realizado na universidade federal deste estado.



Antes de comprar os bilhetes, falei com minha grande amiga Marjory para me hospedar. Em novembro do ano passado, eu também vim pra cá para um outro congresso. Ela ficou de me receber, mas alguns dias antes apareceu uma viagem para ela fazer e eu tive que ficar na casa de sua amiga Jacqueline. Agora me certifiquei de ficar na casa dela mesma. Cheguei e fui bem recebido. Hospitalidade nordestina é uma das coisas que mais me agrada nesta região do país. Aqui sim o povo é receptivo. Vim para ficar apenas uns dias. No primeiro dia, fui ao congresso fazer credenciamento e pegar a programação. E ler um monte de livros, pois eu tinha que escrever um trecho de um artigo aceito com modificações. Ócios do afazer acadêmico. Nesse dia voltei para casa e fiquei estudando. Dia seguinte, congresso novamente, mas resolvi passar no centro da cidade. Comprei pedras e cristais, para aumentar minha coleção. Na quinta-feira, mais uma passadinha no congresso. E em seguida me encontrei com minha amiga Savana, uma manauara que se casou com um rapaz daqui e veio morar por aqui.



Encontrei-me com ela perto da praça do carmo, onde estava acontecendo o festival das flores. Muitas flores bonitas! Savana com saudade do açai, farinha de tapioca, tucumã... Ela que é calada por natureza, estava sentindo a estranheza de um povo que fala até pelos cotovelos!

Nessa mesma noite, eu e Marjory fomos para a casa de um tio dela, em Cupe. É a praia antes de Porto de Galinhas. Fomos até o aeroporto e lá passa um ônibus de linha até a cidade. Claro, véspera de feriado de 7 de setembro, estava lotado. Ficamos de pé um tempão e ainda pegamos congestionamento. Mas pelo menos pagamos bem baratinho. Dormirmos e no dia seguinte andamos até Porto de Galinhas. De lá, andamos até Maracaipe e até o pontal de Maracaipe. Fim do dia, andamos novamente até Cupe. Foi cansativo. Tomamos banho e pegamos o ônibus de volta a Recife. Dormi e bem cedinho voltei a Manaus. Ufa. Mais uma viagem. Já estou cansado de viajar tanto, quem diria! Foi bom estar com minha grande amiga. Viver o ar nordestino. Adoro o nordeste. Pena que a oportunidade, no momento, está em Manaus. Mas no momento em que a sorte soprar pra outras bandas, com certeza irei com alegria. Tomara que seja para João Pessoa!

Já que estou morando na floresta, determinei que pelo menos 1 vez ao ano eu tenho que tomar banho de mar. Afinal: Mar-Ceu-Lo.






sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Voltando a Manaus

Após os dias na comunidade de Barreirinha de Cima, chegou a hora de voltar. Naqueles dias, já estava sentindo muita falta de comer verduras e frutas. Não era época de nenhuma fruta. Eu já havia passado mal de diarreia por 3 dias, resolvido com a água curtida em casca de castanheira e mangueira. Já estava começando a sentir o peso da alimentação diferente daquela do meu cotidiano. Só o glúten eu não abro mão de não comer, pois tenho intolerância. O resto, não tem como: fritura, arroz branco, leite em pó, chocolate, açúcar.

Teve um dia que fomos a um festejo. O meu primeiro! Na comunidade Murinzal. Foi bem legal. Vivenciei a importância que esses eventos festivos têm para a vida no interior. É momento de alegria, onde os ribeirinhos se visitam, fazem torneio, cozinham, dançam forró e formam casais.



Também vim com um tupé. É um tapete feito de fibras vegetais, do arumã. Feito por uma comunitária especialmente para mim. Fiquei bem contente com o resultado!


Por fim, foram 3 dias de baixada para voltar a Manaus. Gostei da expedição. Fui bom assistentes prestativas e tranquilas de trabalhar. O pessoal do barco é gente boa. O trabalho fluiu bem. Agora é esperar a próxima viagem a campo. Chegamos em Manaus no dia 31 de Agosto, um dia antes do programado.




terça-feira, 7 de agosto de 2012

RESEX Auati-Paraná

E finalmente chegamos à Reserva Extrativista Auati-Paraná. O barco deixou eu e minha equipe na comunidade Barreirinha de Cima. Encontramos com uma segunda equipe lá. Ficaríamos por 18 dias na comunidade, até o momento do barco voltar a nos pegar. Continuaríamos mais uma semana com o barco, em outras localidades e voltando a Manaus.

Para chegar, navega-se o rio solimões acima. Entra-se no rio Maiana. Depois o canal Aiupiá. Enfim, chega-se ao rio Auati.



Durante esses dias na comunidade, desenvolvemos nossos trabalhos socioambientais, que consiste no monitoramento e avaliação da implementação do uso da madeira caída para produção de pequenos objetos de madeira.

Foi bom estar na comunidade. O lado negativo: pouca higiene, nenhuma verdura, muitos insetos (principalmente mutuca e carapanã), tomar banho de roupa num portinho no rio, não ter banheiro, não ter geladeira nem energia elétrica. O lado positivo: peixe sempre fresco, hospitalidade dos ribeirinhos, natureza exuberante, simplicidade das pessoas, aconchego, ritmo tranquilo, calmaria.






E nesses dias que fiquei lá, estreitei os laços com o povo da comunidade, comi muito peixe e pude relaxar cada vez mais o jeito urbano e adotar o modo rural. Gosto de trabalhar no interior por causa disso: estar em contato com a natureza e com uma cultura onde as pessoas são mais tranquilas e serenas. Isso me faz bem.

domingo, 5 de agosto de 2012

Fonte Boa

E finalmente chegamos em Fonte Boa. E no interior a festa começa na Quinta-feira e termina Domingo. Isso significa que assim que o barco aportou, a turma se arrumou para sair. Fomos todos ao centro, onde havia o lugar da moda tocando música pelo DJ. Cheio de gente. Me impressiona a falta de projeto de vida dos jovens nesses lugares. E a facilidade com que alguém pode arranjar um casamento. Quando contei pro pessoal do sudeste, eles ficaram chocados, mas é como a coisa funciona neste interior amazônico. O forasteiro chega e há muitas moças que estão esperando para serem levadas embora. Para alguns pode ser bizarro. Para outros, uma facilidade. Eu não quis trazer nenhuma pra Manaus.

No dia seguinte, andar pela cidade para os contatos institucionais. Muito buraco, lixo na rua. Cidade completamente abandonada. E em véspera de eleição, nenhuma mudança estava sendo feita, com desculpa para obtenção de votos. Um município jogado às traças. Muito triste ver isso no interior da Amazônia. Entramos em contato com as autoridade competentes e fizemos nossas reuniões.



Dia seguinte partiríamos para a RESEX Auati-Paraná. O nível do rio cada vez mais baixo nesta época do ano.

sábado, 4 de agosto de 2012

Alvarães

Mais um dia navegando e, finalmente, passamos por Tefé e chegamos a Alvarães. Logo saltei do barco e fui buscar internet. Confesso que tenho dificuldades de ficar longe do mundo virtual. Principalmente porque há poucos dias eu tinha ido no encontro familiar e estavam postando muitas fotos e comentários.

A cidade é pequena. A praça, no sábado à noite, estava com várias pessoas. No interior a grande maioria é de estatura baixa. E são todos morenos, com aquela cor de pele da mistura indígena. Eu destoava na paisagem, sendo branco.

Tinha uma "festa" naquela noite. A única boate da cidade. Nestes interiores, o povo gosta de forró bagaceira, brega, reggaeton e eletrônico. Tem músicas em português que só toca pra estes lados. E todo mundo sabe cantar. Claro, são letras chulas e pouco instrutivas. Ficamos eu e mais alguns peões da expedição.



Engraçado que no interior o povo tem uma fortíssima tendência à promiscuidade. Meninas sem grandes projetos de vida. E homens também. Poucas pessoas com dinheiro, em geral do funcionalismo público e política. A maioria não tem dinheiro pra quase nada. E adoram essas festas. Assim vão vivendo. Eu fiquei o suficiente na festa para me divertir um pouco. Conheci uma tia levando sua sobrinha pra fanfarra. Engraçado a maneira como ela explicitava a ética moral daquele lugar, sem vergonha de julgamentos e de serem o que são. E aquele povo se embriagando e dançando de modo que beira a vulgaridade. Depois voltei ao barco, antes que os nativos começassem a ultrapassarem o limiar de alcolismo tolerável. Nessa hora, eles poderiam ficar valentes com os forasteiros. Dito e feito. No dia seguinte, o pessoal que ficou me disse que os caras lá já estavam mal-encarados e empurrando.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Coari

No primeiro dia de viagem, navegamos e apenas passamos por Manacapuru e Codajás. A política da expedição é não navegar à noite, pois em experiências anteriores isso se mostrou perigoso. Então, sempre que a noite chegava, o barco parava na beira do rio.

Eu já conhecia boa parte dos peões e alguns engenheiros florestais e biólogos da expedição do ano anterior. Foi legal rever a eles e compartilhar mais este trabalho. Já estava com saudades de fazer essas viagens. Durante o dia, a gente nos entretivemos com os jogos olímpicos, que estavam passando na televisão. No barco já antena parabólica. E de noite, passei a acompanhar a novela.

A comida do barco desta vez estava melhor. Dois cozinheiros sempre preparando refeições boas. Claro, já sabia que no início teríamos verduras. Então, fui aproveitando.

Na primeira noite, paramos numa beira de rio. Muito mosquito. Meu mosquiteiro funcionou bem. Sempre dormindo em rede. E na noite seguinte, chegamos em Coari, uma das maiores cidades do interior do Amazonas. Ali saímos todos para um bar. Eu que não bebo, apenas acompanhei. A maioria foi para um pagode em seguida. Eu e as meninas da equipe voltamos caminhando até o barco. Nada como andar, após 2 dias parados, só embalando na rede e assistindo televisão.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Expedição Auati-Paraná 2012

E mais uma expedição científica. Desta vez, com o pessoal do inventário florestal, seguiríamos pelo rio Solimões até o município de Fonte Boa. Projeto da dinâmica do carbono na floresta amazônica. Enquanto uma parte se dedicaria ao inventário, eu e minha equipe fomos realizar nossas atividades socioambientais em uma das comunidades da RESEX Auati-Paraná. Desta vez minha equipe contava com Marklize, assistente social, e Camila, bióloga que participaria apenas os dias iniciais. Os preparativos da viagem envolvem muitas coisas: elaboração de instrumentos de pesquisa, comida, roupas, itens pessoais, remédios, reuniões e articulação.

Enfim, embarcamos dia 1º de Agosto no barco. Passamos a noite aportados ainda em Manaus e logo de manhãzinha subiríamos o rio Solimões.


sábado, 28 de julho de 2012

São Paulo, Tietê

E vim pra São Paulo numa quinta-feira, para ir embora no Domingo. O motivo? Ir ao 2º encontro da família Callegari, realizado em Tietê. Desde a primeira edição no ano passado, esse evento me cativou a querer continuar reunindo a grande família. São muitas histórias, risadas, pessoas. É motivo de alegria e de união entre os parentes.

Cheguei quinta à noite e fui direto pra casa de meu irmão, que me esperava com uma janta: purê de macaxeira, peixe assado e salada. Fiquei ali no seu lar porque ficaria mais fácil deu, no dia seguinte, passear pelo centro de São Paulo.

Janta com meu irmão
Na manhã do dia seguinte, pratiquei yoga cedinho e fui para o centro da cidade. Saudade daquela agitação, de gente de tudo quanto é estilo. Fui dar umas volta com um objetivo claro: comprar pedras/cristais. Estou agora nessa onda dos cristais. Tudo começou com uma prima, que me mandou uns cristais. Depois, outra prima falou deles. Em seguinda, outro irmão comentou. Uma amiga comentou. Pensei comigo mesmo que era hora de explorar esse universo. E no final da rua Barão de Itapetininga, bem no finalzinho mesmo, já chegando na praça da República, tem uma galeria. Eu quase que não a vejo, de tão disfarçada que é. Ali tem algumas lojas. Entra-se lá no fundo da galeria e há 2 lojas. Uma com mais de 300 tipos de pedras. Mas é cara. E antes dela tem uma outra, cujo dono é um iraniano casado com uma japonesa. Ele tem menos pedras, mas os preços são módicos. Eu fiz a festa!

Então fui pra casa de meus pais, pois no Sábado era o grande dia do 2º encontro. Fomos cedo até Tietê, no interior de São Paulo, numa distância de aproximadamente 1h30 de carro pela rodovia Castelo Branco e depois pela Marechal Rondon. Chegamos lá, assistimos missa na igreja construída por nossos ancestrais. E estavam presentes muitos parentes. Isso que achei mais legal: unidos por um motivo de alegria. Foi muito bom mesmo. Conhecemos uma tia que nunca tínhamos visto. A cada ano mais parentes resolvem ir. Isso nos deixa a todos contentes. Ano que vem tem mais!


Estar esses pouquíssimos dias com minha família foi muito bom. E agora tenho uma família gigantesca. Isso me conforta mais ainda! Recomendo a todos recuperar os laços de parentescos. A gente descobre muitas histórias familiares. Mais do que isso, a gente estreita vínculos. É legal de mais!

sábado, 7 de julho de 2012

Presidente Figueiredo (Cachoeira ASFRAMA)

E veio me visitar minha grande amiga Mirela, diretamente de São Paulo! Fiquei super feliz com a vinda dela para cá. Estava precisando da companhia de amigos antigos, para poder conversar a respeito da vida e de tudo o que viesse à mente.

No primeiro dia, levei Mirela para fazer o passeio ao encontro das águas. Custou R$ 120,00. Sai 9h00 do porto e volta lá pelas 15h30. Quando chegou à noite, me encontrei com ela no centro. Fomos dar uma volta, comer tacacá e participar do couchsurfing meeting.

Dia seguinte, levei ela junto com meus alunos ao Jardim Botânico, fazer uma trilha pela floresta. À tarde, ela foi para o centro cultural dos povos da amazônia, enquanto eu trabalhava. À noite, passamos no chão de estrelas, um bar que toca um sambinha bom. E em seguida, apenas uma conferida no ET bar, onde há um tempo atrás eu me divertia bastante.

No sábado, fomos a Presidente Figueiredo. A cachoeira escolhida foi da ASFRAMA. Bem legal lá. Apesar de ser bem cheia, vale a pena. Super tranquila. Comemos um belo de um tambaqui na cidade antes de voltar a Manaus.

Domingo de manhã, levei-a ao Tarumã, num sítio. Almoço fomos comer um matrinxã, um peixe delicioso. À noite, teatro amazonas e espetáculo de violões.

Na segunda, ela foi ao centro e o dia terminou assim. Levei-a ao aeroporto e nos despedimos. Muito bom receber a companhia dos amigos aqui em Manaus!




domingo, 10 de junho de 2012

Presidente Figueiredo (Cachoeira Pedra Furada)

E recebi um casal super simpático de mochileiros argentinos. Anibal e Valeria chegaram da Venezuela e vieram se hospedar aqui em casa. Peguei eles e fomos direto para Presidente Figueiredo. No carro estava Aline e eles. No outro carro, Maria, Vinícius, Diego, Daniela e Diana.

A escolha desta vez foi a cachoeira da Pedra Furada. Como de costume, primeiro paramos para tomar o café regional. Em seguida fomos até lá. É no meio da estrada para Balbina. Chegando lá, o lugar causa uma excelente impressão. Primeiro porque assim que paramos o carro, um cheiro de flor se apresentou e logo nos encantou. Depois, o lugar com uma energia mágica.

Nos banhamos, tocamos violão, comemos. Foi legal de mais esse dia!